sábado, 25 de agosto de 2012

°º Ruínas da Vida º°


por Milla Furtado, quarta, 23 de Novembro de 2011 às 20:36

Numa luta constante entre viver e sobreviver, ser feliz ou parecer, de errar ou acertar, de certezas ou dúvidas, é inevitável que não colecionemos marcas, cicatrizes e uma dor que vem e que vai, depende muito de como você está ou pretende estar; ou na maioria das vezes depende das suas forças entre querer ou fugir dos pensamentos que insistem em atormentar freqüentemente com perguntas sem respostas, e imagens sem seqüências, um projeto inacabado, como ruínas abandonadas no passado, a qual somente você volta. Talvez na esperança que um dia volte a ser como antes.

Lembranças de um lugar cheio de vida e hoje tão triste e vazio, escuro e abandonado num lugar muitas vezes esquecido e de difícil acesso, mas que conseguimos chegar com tal facilidade que chega a espantar.
Por que sempre queremos aquilo que não podemos ter, nos tornamos aquilo que nunca imaginamos? Será isso ruim ou bom? Ou melhor, será que podemos escolher tudo isso?

Nesse momento nada importa. Apenas os questionamentos, os mesmos que assombram essa visitação a esse lugar, tão distante e tão íntimo, no âmbito da sua alma.

Um olhar distante que nos separa da realidade e do irreal, nostalgia sem sentido.
Pensamentos que nos levam para um lugar aonde, na verdade, jamais saímos.

As paredes já estão verdes e a natureza já está tomando conta, como pode haver vida num lugar arruinado?
Vem uma indignação, como a vida pode estar ali reinando da minha desgraça? Das minhas ruínas? Elas são minhas somente minhas, e não ter controle disso é simplesmente atormentador, uma sensação angustiante de impotência mesclada com fracasso.

Então entre as vidraças quebradas e as frestas do telhado surgem raios de sol que invadem aquele lugar e interrompem esse momento de reflexão, de indagação profunda a procura insaciável de respostas e essa luz deixa visível que  ainda que esteja inacabado para mim, para aqueles seres, alguns invisíveis, ela está em constante transformação. É egoísmo acharmos que as coisas estão sempre erradas, só porque não estão da maneira como gostaríamos que estivessem. Elas estão exatamente aonde deveriam estar.
Nós que muitas vezes não estamos no lugar certo, e assim não entendemos a seqüência da vida, e ficamos perdidos em fragmentos do tempo, impossibilitando de subir os degraus e viver novas dimensões.

O problema, é que muitas vezes até enxergamos o erro, encontramos a resposta, sabemos o que é certo, mas não queremos abandonar o que já está arruinado, já dizia o velho ditado que “... o pior cego é aquele que vê, mas não quer enxergar’. O ser humano ainda que se diga “desesperançoso” é um ser que não vive nem sobrevive sem esperança. É ela quem nos impulsiona, nos motiva, se ela acabar, antes disso, nós, já acabamos. Nossa ruína é quando depositamos nossa esperança em algo errado.

Isso é perigoso, e muitas vezes um caminho sem volta “em partes”, pois depende se você desejará retornar, ou ficar eternamente vagando pelas ruínas e perambulando em estradas sem rumos.
Muitos nesse mundo estão presos em fragmentos de felicidades perdidas no passado, e alagados por lágrimas de dores e tristezas, com nuvens de auto julgamentos, e falta de compaixão com si mesmo,  e se alimentam disso. Feitos parasitas. E esquecem que há um mundo lá fora. Disposto a transformar outras ruínas em lugares perfeitos!

O segredo, não é estar num lugar perfeito, e sim querer estar lá.

Você pode muito bem estar num lugar perfeito, porém sua essência estar presa nas ruínas de um lugar inacabado, num lugar distante, fechado a visitações e perdido no mapa.

A pior sensação para um arquiteto é quando vê seu projeto arruinado.

O pior que uma pessoa pode fazer é desistir de viver novos momentos, conhecer novas pessoas e novos mundos. Se abdicar de se permitir ser feliz, novamente.
Ainda que em pequenas porções, como num conta-gotas, ou o como o gotejar do soro que de gota em gota nos fortalecem, assim funciona como um gotejar de vida.

Afinal, assim como a dor não é constante a felicidade também não é.
Porém ambas andam juntas e em constante harmonia, cada uma em sua vez, com a sua intensidade, porém com suas particularidades.

Milla Furtado

°º ...As paredes já estão verdes e a natureza já está tomando conta, como pode haver vida num lugar arruinado? ...º°

Nenhum comentário: