Hoje estou triste, não me pergunte o motivo. Não sei. Na verdade não quero pensar nisso.
Essa semana, eu tive o privilégio de encontrar um menino, cheio de limites, e que se esforçava com todas as suas forças,vencer cada um deles. E um desses limites era: sorrir. Duraram alguns minutos, mas me trouxeram lições as quais irei levar pra toda vida, e vou compartilhar com você. Ele tentou uma, duas, três e inúmeras vezes e vendo toda aquela dificuldade, quando eu notei uma circunferência tímida no canto esquerdo de seus lábios, eu enxerguei o mais belo dos sorrisos. Na verdade eu vi mais que um sorriso, eu vi uma conquista. E vibrei tanto com aquela conquista, vocês não imaginam, chega me emocionei, parecia final de copa. E fiquei imaginando: quando eu falar isso pra alguém, vão me achar uma boba. Mas na verdade, eu estava sendo mais humana. Hoje em dia ser humano, ser sensível, ser educado é apontando como bobeira. Gentilezas num mundo cheio de interesses, cheio de tiranos e máquinas mortíferas que consomem nossas crianças, nossos trabalhadores, nossos idosos, nossas matas, nossos animais, nossos oceanos e céus, nosso eu, com suas ganâncias por riquezas,impérios, terras, tentáculos altamente mortais que apertam nosso coração, e nos fazer acreditar que ele não existe mais. E nos tornamos meros robôs,andando pelas ruas, manipulados e influenciados, sem sentimentos, sem opiniões, sem sonhos, sem alegrias, sem paz, sem querer e cheios de medos, de ansiedades, de dúvidas. Na verdade o medo que sentimos, é a certeza de sabermos o que somos capazes de fazer. O homem se tornou numa máquina altamente auto destruidora.
O Pedrinho, sim, aquele garotinho do sorriso, me ensinou, que por mais que seja difícil dar um sorriso, muitas vezes é necessário. Aquele sorriso mudou minha vida, mostrou a importância de resgatar a parte boa que todos temos, exercitando a cada dia nossa humanidade, uma gentileza, uma bondade seja ela qual for, desde ajudar um idoso a atravessar a rua, ou dar passagem ao carro que quer nos ultrapassar, visitar um hospital, um asilo, cumprimentar os garis, o mendingo, falar que você ama, dar um abraço, reconhecer erros, e se esforçar para melhorar: isso faz bem pra alma. Ao fazer o bem a alguém, estamos fazendo um bem a nós mesmos, se todos soubessem disso não haveria tantos egoístas que pensando apenas em si, acabam destruindo a sua própria família, seu habitat e logo sua vida, gerando tanta violência, fome, guerras e mortes.
É estranho entender como um homem,chamado Jesus conseguiu amar tanto a ponto de morrer por tantas vidas, ao invés de matar todos, não é isso que os apaixonados fazem quando são negados? Eu prefiro acreditar que isso, que os apaixonados dizem que é amor, não é o amor de verdade, mas sim o que inventaram do amor, um amor próprio, um amor egoísta e doentio. Eu não consigo entender a Cristo, talvez porque eu não tenha experimentado desse sentimento, o amor de verdade, que Ele sentiu e talvez um dia eu entenda. Mas se não temos coragem de dar nossas próprias vidas uns pelos os outros, talvez é porque o intuito é viver, mas matando a cada dia um pouco de nós, da nossa ignorância, da nossa arrogância, da nossa maldade, da nossa hipocrisia, do nosso egoísmo, e um dia teremos matado nosso lado mal,contaminado, manipulado e infectado e finalmente se tornado um humano de verdade. Li a seguinte frase essa semana, na página de um amigo: “Não procure ser um homem com êxito, e sim um homem com valores” de Albert Einstein.
Resume no que a humanidade, feita de robôs que seguem ordens, transformou-se. Quebre as barreiras que o impedem de viver em plenitude, essa sim é a razão de estarmos aqui.
Comece sorrindo. O sorriso, traz alegria ao coração, e a quem não o sente, por estar sufocado pelos tentáculos e braços manipuladores e tiranos, ao sorrir, sente uma leve palpitada no peito, no canto esquerdo e um alivio, de sentir-se livre.
Não sejamos pedras no caminho dos outros, mas sejamos Pedrinhos. Enquanto isso, não me importo de me acharem boba. Quero ser uma boba, pra sempre!
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Milla Furtado
