sábado, 26 de junho de 2010

A lua.

Um suspense no ar, aroma de flores com uma leve pitada de folhas secas.

A lua está feito gota de mel, pérola suspensa no ar.

E com um olhar misterioso me segue, cada movimento, nossos olhares se cruzam sem querer. E nessa troca de olhares, tudo se perde: o tudo vira nada, e o nada torna-se tudo.

Lua linda que brilha no céu, conte-me seu segredo.

Diga-me onde esconde seus medos e anseios.

Pois ao olhar-te só vê beleza, tranqüilidade, paz e amor.

Lua formosa, passa tanta sabedoria, mesmo na escuridão do firmamento permanece brilhante, nada te ofusca.

Conte-me seu segredo.

Juro que não contarei a ninguém.


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Milla Furtado


domingo, 13 de junho de 2010

O vento

Meus pés sentem a areia, e minhas pegadas ficam pra trás.
O vento bate em meus cabelos, e toca meu rosto: um carinho reservado pelo tempo, para aquele momento.

Aquele vento, é suave, como brisa, até parece um abraço que abraça e envolve sua alma, tão solitária, e por um milésimo de instante preenche todo vazio, leva toda a dor, decifra todas as dúvidas, esclarece todas as coisas e conforta o coração.

As pegadas são levadas pelo vento e apagadas pelo mar.

Não há música, mas a ouço, em minha mente as notas se encontram, e se transformam em partituras e fazem meu corpo inteiro vibrar, numa sinfonia corporal entre todas as minhas células, todos meus poros, em minhas veias passam um rio de tristeza e de alegria, num movimento linear e incerto, como um mar revolto e suave e desagua em meus olhos, da maneira mais sublime.

As lágrimas que escorrem lavam a alma e mantêm a vida irrigada em mim.

Ao olhar pra trás, vejo apenas o horizonte: vazio e único.

O frio está aqui, comigo. O dia esta nublado.

Eu paro de caminhar, e fixo meu olhar ao além: além do que se possa enxergar.

A esperança me impulsiona a continuar caminhando.

Não há forças, mas há vontade de viver. E enquanto houver vida, haverá passos, haverá movimentos, haverá sonhos.

E não há limites quando se há sonhos. Eu vou construir novos sonhos, Ele irá me ajudar, a reconstruir tudo de novo.

E então, irei deitar novamente por várias noites, e haverá novos sonhos.

Lindos sonhos...

E quando eu acordar, tudo terá passado.

Já será dia, os raios de sol irão invadir meu quarto pela frechas da janela e secar minhas lágrimas e aquecer meu coração.

Joguei no mar, tudo que passou, e as ondas levaram... o que passou virou uma lembrança, numa caixinha de sapatos guardada com cartas e fotos, no canto do guarda roupa.

Meus pés me levarão... aos meus sonhos... mais distantes!

E jamais estarei só... Pois Ele vive em mim, e está aqui comigo... não o vejo, mas o sinto.

O vento sempre trará um carinho, reservado para aquele momento.
Eu acredito...

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Milla Furtado