A canção despertou o desejo de lhe conhecer, meus olhos te
viram num conjunto de luzes.
Num encontro e desencontro nos encontramos e numa tarde
nossos olhos se entrelaçaram. E ainda que breve, ali vimos que era apenas o começo.
Parecíamos velhos amigos, de tempos.
Com limões e folhas verdes, me fez sorrir. Um
beijo aconteceu. A noite estava estrelada. Abri meus olhos e o vi olhar para
mim.
Você me levou ao intimo de seus segredos.
Numa garupa, sonhamos sonhos jamais realizados, de braços abertos
a velocidade aumentou e o vento fechou um dia.
Risos, conversas, e compartilhamentos de histórias.
Numa noite eu olhei a estrela e fiz um pedido a Deus.
Num lugar lindo, um paraíso surgiu. Seus olhos uniam o céu,
o sol e o mar. Um silencio invadiu e deitados na grama ficamos apreciando o infinito azul.
Num penhasco dividiu comigo seu esconderijo particular, la de cima via-se o sol se por.
Mergulhei nas profundezas de seu olhar, que me transmitiam
uma profunda paz, me sentia segura, na medida que mergulhava cada vez mais fundo.
Te levei ate o intimo de minha alma, revelei o mais obscuro e
precioso de meus segredos, e juntos mergulhamos
nas profundezas daquele oceano misterioso, um barco afundado aonde havia uma caixa dourada que
se revelava a luz do sol, raios que invadiam pelo jardim de inverno.
Você
estava ali, permanecia ali, eu tinha medo, mas suas mãos estavam segurando firmes a minha, sabia que estava comigo, mergulhávamos juntos, seu olhar me transmitia a confiança que eu precisava.
Me senti bem, me
senti leve, ainda que nas profundezas do oceano, me senti a leve brisa que vem depois do vento.
Mais um dia havia passado.
E assim como o vento, se foi, passou...
Não se sabe ao certo como veio nem como se foi, apenas se sabe que
passou, não deixara marcas, mas o vento não se vê, se sente.
E consigo trouxe o inverno, o frio. Da varanda
ficava o aguardando retornar, que voltasse novamente a balançar meus cabelos
como nos dias quentes de verão. Mas havia apenas um vento frio e gelado.
E assim como um vento, estou eu aqui no alto, sinto um vento frio de verão que me desperta, lembrando daquela leve e doce brisa que adocicou meu verão, não é o mesmo vento. Foi rápido, mas foi de todos, o vento mais doce que senti.
Novamente
estou eu a olhar para o céu, uma estrela brilha mais e a luz do luar eu reforço meu pedido a Deus.
Adeus, meu doce vento, que encontre seu lugar e que seja muito feliz.
Que encontre sua primavera perfeita, e que seja constante enquanto durar.
Ainda lembro de seu olhar quando olho para o mar. Então fecho meus olhos e selo com um sorriso.
Um suspiro escapa.
Passou tão rápido que nem consegui lhe mostrar aonde me escondo, o meu esconderijo particular, assim como o seu, mas com um detalhe, daqui vê-se o sol nascer.
Milla Furtado

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