terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pensamentos

Sentada em um banco olho o jardim. É primavera as flores estão desfilando seus vestidos e usaram seus melhores perfumes, todas elegantes, charmosas e meigas.

As borboletas dançam com a suave brisa e o agradável aroma no ar.

Parece um tapete colorido, com o destaque do verde das gramas e das folhas das árvores carregadas de soberania e grandeza.

Meus pés sentem o orvalho na grama, e o Sol já mostrou seus primeiros raios. Corro pelos campos atrás das borboletas que como um grupo de pequenas bailarinas me levam para mais perto de um riacho, límpido e de águas cristalinas.

Como um espelho reflete o céu azul e ouço a canção vir do sul, de lá vem as flores como que dançando no ar, num emarenhado de cores e de aromas.

Estou eu no paraíso?

Sinto uma leveza dentro de mim, não sei onde estou, nem como cheguei até ali, mas tenho paz dentro de mim.

Caminho como que numa hipnose atrás daqueles acordes, daquela melodia que misteriosamente mexe com todos os meus sentidos sinto notas passar pelas minhas veias, e mesmo sem letras entendo a canção.

Será que morri ou estou morrendo?

Mas nada disso importa, quero mais do que tudo alcançar a canção. Meus questionamentos não tem peso, não tenho tanta vontade de saber suas respostas quanto quero chegar nesses acordes.

Pareço flutuar, meus pés não tocam o chão, não sinto mais as gramas levemente molhadas, nem o cheiro das flores. Sinto apenas ela: a música. Cada toque, cada nota, sinto cada acorde. Meu coração bate no ritmo da música.

Vejo uma luz... uma linda luz... que me fascina que me consome.

Ela se aproxima cada vez mais, sim, e dela que vem o som.

Num suspiro profundo, sinto uma realeza dentro de mim.

Eu me encontrei, sim.

É isso que sempre busquei, minha busca acabou. Nada mais importa.

Achei meu EU, minha metade, meu pedaço, minha essência. Tudo agora faz sentido.

As respostas soam como melodias, as lágrimas de outrora são agradáveis aromas.

Sinto que não estou mais aqui, mas ainda estou aqui.

É um mistério, sim é.

Mas jamais encontraria as palavras pra decifrar o que foi aquele momento.

Sim, agora eu sei.

Agora eu entendi.

E como uma melodia suave sou levada pela leveza da brisa e cada vez mais nas alturas, sinto as nuvens passar pelos meus cabelos, são como um sopro gelado.

É tudo muito lindo.

A música está se afastando, não se vá eu disse dentro de mim. Mas ela esta indo, sem que eu possa fazer nada...

Estou caindo, cada vez mais perto do verde. Minha respiração está escassa, meu coração bate forte. Mal consigo respirar.

Estou caindo e não consigo gritar.

Estou prestes a...

E finalmente, um fôlego. O fôlego mais profundo que já pude sentir em meu peito, senti o ar em meus pulmões.

A multidão do parque e a ingenuidade de uma criança que sorri para mim com a curiosidade e a alegria pura.

Sim eu adormeci, naquele banco do parque. Mas eu sei que foi real. Agora sinto a grama em meus pés. E sigo.

A melodia vive em mim... eu sou a melodia!

Sinto os mesmos aromas, e vejo as flores e as borboletas, as mesmas.

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